segunda-feira, 21 de junho de 2010

Propria nudez




Não tenho o hábito de escrever poemas. Não é a minha cara. Mas sendo a minha cara ou não me vi rabiscando um cantinho do papel, meu coração acelerava a cada linha e quando terminei e vi aqueles garranchos a primeira coisa que fiz foi organizar em versos e mandar para uma amiga. Isso é um poema? Perguntei. Ela leu e disse que sim. É um lindo poema.

Nunca havia me sentido tão nu. Estranho falar assim. Meus personagem quase sempre acabam sem roupa mas pela primeira vez me senti nu. No entendimento daquelas palavras soltas e do abstratato desenhado por aqueles versos se constroi sim as minhas verdadeiras linhas.

Compreendo agora o que aquela moça (no caso, a artista) fazia deitada e despida sobre uma travessa de frutas na exposição do "Argentina Hoy". 




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segunda-feira, 14 de junho de 2010

Escatalógico e etc

Outro dia caminhava pela rua de casa, voltava absorto em meus pensamentos até que uma moça que passava ao meu lado chamou minha atenção por sua beleza. Podia facilmente passar-se por uma daquelas artistas de tevê. Continuei acompanhando-a com o olhar, ela andava destraida também, seguia para o sentido contrario ao meu, mas antes de me virar e voltar ao meu caminho pude vê-la escarrar no meio-fio e atravessar a rua.

Belas moças escarram? Aquela escarrava, e o fazia com gosto.

Lembrei-me quase automaticamente de um conto de Rubem Fonseca que iniciava com uma cuspida.

Tem dias que acordo meio assim: Só observo aquilo que ninguém quer ver. Como aquela melequinha apontando pra fora do nariz de um desconhecido, me coço pra nao cutucar o sujeito e dizer : "ta sujo aqui, oh.. " mas sempre me seguro...


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Ah, vocês podem conferir meu novo conto : "Quase amei Rosana", há um link aqui do lado.