terça-feira, 20 de novembro de 2012

Tarde Dourada

Cada poro de sua pele alva exalava feminilidade
A boca esculpia um sorriso de lábios carnudos
Bochecha tão vermelha
Os cabelos de sua nuca molhados de suor
Deitada sobre meu peito
Envolta numa congelada atmosfera dourada
Como só o pôr-do-sol de uma tela poderia revelar
E o tempo era generoso
Tudo se movia suavemente
E aqueles olhos, grandes e castanhos, brilhando
A me questionar com tal placidez que
O encanto se prolongava.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Desculpa



Quem sabe ela quis apenas dizer "calmo", ou "tranquilo"... Mas o que saiu foi "Passivo".

A palavra "passivo" por melhores que sejam as intenções de seu interlocutor sempre carrega um pesar de deboche. Talvez eu esteja enganado, mas não consigo desvencilhar de algo pejorativo. Segundo Michaelis : " Que não age nem reage; indiferente, inerte."

No calor dos dias, onde as pessoas se atropelam sem nem ao menos olharem nos rostos uma das outras, onde pedir desculpas é algo raro e agradecer é praticamente um sinal de fraqueza, qualquer um que não reivindique aos gritos seu lugar na janela é um passivo.

Talvez por isso a alcunha. Creio que o que me torna humano, e assim, na nossa ignorância nos pusemos a cima de todas as outras forma de vida, é fato de raciocinarmos e dessa forma não agirmos puro e simplesmente por instintos. Nos meus devaneios de sobre o que seria uma sociedade civilizado, penso que regredimos a cada discussão em fila de banco, a cada brinca que poderia ser evitada, a cada ato de intolerância.
Mas aceitar tudo de peito aberto e baixar a cabeça, num tangimento quase religioso, eu considero burrice. Seria renegar sua liberdade. 

A medida que as cidades crescem mais grave se tornam os casos de falta de educação. Torço para que em breve o numero de diplomas fabricados se equilibre com o numero de cidadãos educados. 

Enquanto isso eu continuo fingindo que ouvi os "por favor", "bom dia", "obrigado" e "desculpa", que por mero descuido da agitação da cidade ficou esquecido num canto.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Histórias inacabadas

Ia começar dizendo que venho aqui e posto algo de novo em intervalos anuais. Também aproveito para atualizar meu perfil, enfim envelheci um ano. Mas isso iria soar tão repetitivo e insosso que sem muito esforço desfaço as primeiras linhas e volto ao branco. Quem estou querendo enganar?

Há tanta coisa a ser dita... Nesse jejum de um ano amadureceu em mim coisas que ainda não aprendi a transformar em palavras, temo que se vão e se percam antes de eu conseguir capturá-las em textos. Comecei a tecer um novo conto, que de forma traiçoeira e inesperada, tomou corpo e ganha ares de romance. Este que não faço ideia como conduzi-lo. Sinto que são arvores que crescem e se espalham muito mais rápido que minha limitada habilidade de poda. E já vai bem desgrenhado, um bicho selvagem, que nem bem eu sei se fui o culpado.

Pensei em retomar algumas histórias soltas, mas essa ideia logo me abandonou. Por sorte, talvez. Não sei que destino teriam personagem congelados por tanto tempo. Fadei-lhes ao eterno, às histórias sem fim.
Por isso prefiro contos. Neles consigo vislumbrar o ponto final. O romance não bem tramado é uma armadilha, e sei que se não me precaver não saberei quem conduz quem.