domingo, 16 de dezembro de 2012

Lua cheia...

E que homem seria eu se afirmasse que o amor em desabrochamento é um amor na penumbra?

Desculpo-me aos amantes mais românticos chamando ao centro do tablado o tempo,e a este pobre velho penalizo as consequências do amor amadurecido.

Nas primeiras semanas, cada descoberta, cada detalhe no parceiro é como mapear estrelas no infinito, e tudo é bom.

Contudo mergulhar de mãos dadas é avançar na intimidade e nos desencontros.

É no sorriso brotado nos desalinhos que se firmam os romances duradores. Não temo brigas, nem desentendimentos, temo a indiferença.

Desejo que quando toda a luz for despejada que as qualidades reluzam e as diferenças sejam meros detalhes a serem superados.

Um comentário:

Anônimo disse...

E as discussões se sucediam, sem pé nem cabeça. Mas ciúmes são cegos como o próprio amor. São sentimentos mesquinhos, minuciosos, não esquecem a insignificância dos mínimos segundos. As batidas do coração jamais deveriam se escravizar aos tiquetaques desencontrados de dois relógios diferentes. A verdade, porém, é que eram ambos loucos, um pelo outro, e seus corações acabavam por se entender, num ritmo comum de compreensão. E as hostilidades descansavam invariavelmente em beijinhos e mil perdões.
— Chico Buarque.