quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Parasemprefobia


Não sei nem por onde começar. Minha tentativa de criar uma palavra nova foi um fracasso, aquele "parasemprefobia" fico tão longo e feio, mas deixamos do jeito que está: Reconheço minha inaptidão para o neologismo e agora nenhuma palavra do dicionário vem me socorrer.

Deve existir algum termo na psicologia para ilustrar pessoas que temam o que pareça ser um pouco mais durador. Achei o "para sempre" tão fabular, tão parecido com a ultima pagina de um livro de contos infantis que existindo ou não o tal termo na psicologia essa palavra feia ae que inventei caberia muito bem para descrever a aversão a tudo que se aproxime do "para sempre".

Conheço um bando de gente que teme mais que tudo casamento e até namoros mais serios. Está certo que a maioria se mantenha ai "na pista" por outros motivos.

 Mas há os que temam o até-que-a-morte-os-separe, ou a palavra vitalício, ou perpetuo. Medo do escuro e mais medo ainda do que parece ser certo de mais, das estradas retas...

Diagnostiquei recentemente como sindrome do marinheiro invertido o fato de uma amiga nunca se relacionar com niguém que no futuro possa fazer vingar um namoro, e só sair com caras que ela tem certeza que estão aqui só de passagem. Quem sabe seja o medo de dar certo que a faça ser assim, pelo menos por enquanto.

Também sofro um pouco de parasemprefobia, toda vez que ouço alguém dizer que fulano nasceu, cresceu e morreu no lugar X, me dá um aperto no coração. É o mesmo lugar, sempre.. para sempre. Talvez tenha em mim sangue cigano, tenho a impressão que procuro algo que não está aqui. E está procura me impulsiona a outros lugares, ou seja: as mesmas paisagens me assombram mesmo quando sei que elas mudam, e eu também, diariamente.

Sei que o para sempre não existe, mas ele ainda me assusta as vezes.

Um comentário:

Anônimo disse...

Triste incoerência dos contos adaptados do Disneyworld!! Nem o seu criador desfrutou dos seus sonhos criacionistas "para sempre"(sob uma análise superficial, não filosófica).

O Budismo tibetano já pregava o "tudo muda" desde antes de Cristo. Logo, o PARASEMPREFOBIA não é ao meu ver medo, mas sim evolução sobre a inconstância, o desapego.

Se isso é bom ou ruim... vai saber?!

Lud