Haveria de chegar o dia em que as borboletas tornar-se-iam mais amarelas e o monstro do ciúme mais verde.Sempre fui feliz por acretidar ser desprovido de ciume. Minha irmã fazia caras, e torcia o nariz ao me ver abraçando minha mãe quando criança. Mas isso é uma coisa: Achar que os pais dão mais atenção para o irmão que para você, normal...
Não me entenda como alguém insensível. Cuido e demostro o que sinto para aqueles que amo, menos ciume. Não me pertencia... eu achava. Não me ruía ver meninas que eu havia ficado no passado com outros caras, até fazia pose de zangado quando alguém vinha com mais atrevimento para alguma garota que estivesse comigo, mas nada que me tirasse do sério.
Quando algum entendido, ou metido a entendido, dizia que quem gosta sente ciume eu ria. Pura besteira. Uma ou outra vez refleti sobre o fato, mas não fui muito além. Pura besteira. Ta aí uma coisa: Ciúme não me pertence.
Poderia até me sentir superior aos outros, com um ser melhorado que era capaz de amar sem se ater a sentimentos destrutivos. Contudo, para mim, a aceitação que ele exitia em mim, como um bicho hibernante, foi mais doloroso que o sentimento em si. Eu me enganei a vida inteira. Achei impressionante (depois que tudo acalmou, lógico!) como eram vivas as imagens que meu cerebro formava só para aferventar mais ainda aquele sentimento que borbulhava.
Mas quando a fervura terminou tirei dele um bom chá. Daqueles bem quentes que a gente beberica com medo de queimar os lábios. Sentimentos turvos nascem e mostram que não nos conhecemos, que é gostoso ter alguém para amar e temer a perda. E desses sentimentos, como aqueles bonequinhos de papel, saim de mãos dadas puxando outros e outros. Até ciúme.
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